Os dados vêm do IODA, projeto do Georgia Tech que monitora a conectividade de todos os países continuamente. Ele não pergunta a ninguém se a internet caiu: ele observa três sinais independentes e cruza os três.
Rotas anunciadas (BGP): toda rede do mundo anuncia publicamente quais faixas de endereço ela atende. É assim que o tráfego sabe para onde ir. Quando as redes de um país somem desse anúncio global, o país deixa de existir no mapa do roteamento. É o que acontece em desligamento deliberado por governo, e também em falha grave de operadora.
Resposta a ping: o projeto envia pacotes para amostras de endereços em cada país e mede quantos respondem. Mede se as máquinas continuam alcançáveis.
Telescópio de rede: o mais engenhoso dos três. Existem grandes blocos de endereços que não hospedam nada, mas que recebem ruído constante do mundo inteiro, de máquinas infectadas e varreduras automáticas. Esse ruído é previsível. Quando um país desconecta, o ruído que vinha de lá some, e isso aparece sem precisar sondar ninguém.
Por que a confiança importa: um sinal alterado sozinho costuma ser problema de medição ou incidente local. Dois já merece atenção. Três sinais independentes concordando é queda real e ampla. Por isso a página mostra quantos sinais concordam, em vez de só pintar o país de vermelho.
A lista separa o que está caindo neste momento do que teve episódio nas últimas 24 horas e já voltou. As duas coisas são interessantes, mas não são a mesma coisa.
Cerca de 99% do tráfego intercontinental passa por cabos no fundo do mar, não por satélite. Cada linha no mapa é um cabo real, com traçado aproximado, e cada ponto azul é um ponto de pouso, onde o cabo encosta em terra.
Isso explica muita queda nacional. País insular ou sem litoral costuma depender de pouquíssimos cabos, então um único rompimento derruba o país inteiro. Cabo Verde, por exemplo, aparece com frequência nesta página.
Passe o mouse sobre um cabo para ver o nome, ou clique para a ficha completa: extensão, ano em que entrou em operação, quem são os responsáveis e quem construiu. O Monet, por exemplo, liga Fortaleza e Santos à Flórida e pertence a um consórcio que inclui Google, Algar Telecom, Angola Cables e Antel Uruguay.
Sobre a latência até um ponto de pouso: não é possível medir. Ponto de pouso é uma praia, não um servidor, e não existe nada ali para sondar. O que a página mostra é o piso imposto pela física: a luz percorre a fibra a cerca de 200 mil km/s, então a ida e volta leva no mínimo a distância dividida por 100, em milissegundos. Daqui até Fortaleza são 7.586 km, ou seja, 76 ms no melhor cenário concebível. A medição real até o Brasil fica em torno de 218 ms, quase três vezes o piso, e essa diferença é o custo de a rota não ser reta e de cada equipamento no caminho somar seu atraso.
Dados cedidos por TeleGeography.
Esta parte não vem de API nenhuma: é medição feita pelo meu próprio servidor, a cada minuto, com um blackbox exporter guardando histórico no Prometheus.
Ele mede latência até os 13 servidores DNS raiz, que são a base de toda resolução de nome do planeta, até resolvedores públicos, e até a infraestrutura brasileira do Registro.br e do IX.br.
O contraste é o ponto: o servidor fica na França, em Lauterbourg, então os alvos europeus respondem em poucos milissegundos, enquanto os brasileiros ficam acima de 200 ms. Isso não é configuração ruim, é a distância física. O sinal atravessa o Atlântico por fibra, e a velocidade da luz no vidro é o limite. É o número que mostra, na prática, quanto custa hospedar longe de quem vai usar.